Lu Horta – Paraiso Eu (2009)

Paraiso Eu - cover art by Dani Luppi

Paraíso Eu (2009)

1. Paraíso Eu 4’13’’
(Arnaldo Antunes)

Pode comer
Pode beber
Pode se embriagar
Pode falar e pode fazer
Tudo o que você desejar

Aqui é o paraíso hoje
Paraíso eu

Pode tocar
Pode pegar
Pode acariciar
Pode apalpar e pode fazer
Tudo o que você desejar

Eu sou o paraíso hoje
Paraíso eu

Marcelo Effori: bateria, pandeirola Indiana, caxixis, palmas
João Erbetta: guitarras e violão de aço
Bruno Bona: baixo synth, Hammond, prophet V, Wurlitzer
Lu Horta: violão nylon, vozes, palmas

arranjo de base: Bruno Bona e João Erbetta
arranjo vocal e autoria do refrão“turauraurau”: Lu Horta
gravação: Bruno Bona e Marco Mattoli

2. No Meu Lugar 3’22’’
(Ricardo Breim e Jean Boechat)

Pois é
Você chegou aqui
Sorriu, falou
Deu nome ao seu lugar
Pensei e te deixei ficar

Você passou a procurar
Plantou, cresceu
E pôs numa canção de amor
O que colheu

E tudo então que estava ali
Guardado assim no meu lugar
Foi só um nada pra lembrar

Senti meu coração pulsar
Porém tudo ficou no ar
Você parou
Deixou de acreditar
Calou e se perdeu

E tudo então que estava ali
Guardado assim no meu lugar
É só silêncio pra cantar

Nem sei e agora tanto faz
Você se foi
Ficou no seu lugar
Tão só essa canção

João Erbetta: violão de aço, guitarras
Marcelo Effori: bateria, palmas, pandeirola, swish
Bruno Bona: baixo synth, prophet, hammond, clavinete, beat
Lu Horta: violões de nylon, palmas, assobio e vozes

arranjo de base: Bruno Bona
arranjo vocal: Lu Horta
gravação: Marco Mattoli, Bruno Bona, Iuri Kalil (bateria, estúdio Totem)

3. Flutuante 2’57’’
(Lu Horta/Jean Boechat)

Pra não voltar
Junto
Tem que ter tudo

Noutro lugar
Fundo
Claro e escuro

Dentro
Em pensamento
Dentro
Encantamento

Num amor

Pra recordar
Tudo
Tem que estar junto

Noutro lembrar
Fundo
Calado e mudo

Dentro
Quarto de hotel
Dentro
Um risco no céu

Num amor

Segredo bom
Canto
Dentro do peito

Saudade assim
Sinto

Nessa tarde
Flutuante

Se é pra voltar
Tudo
Acordar de novo
Volta
Bem ao começo
De um amor
João Erbetta: guitarras
Bruno Bona: baixo synth, sintetizadores, sound design, Hammond, beat
Lu Horta: violões de nylon, vozes

arranjo de base: Bruno Bona
gravação: Bruno Bona

4. Todo Mudo Quer Amor 5’06’’
(Leandro Bomfim)

Todo mundo quer
Todo mundo sonha com amor
Mais cedo ou mais tarde grita uma paixão
precisa escutar

ninguém pode impedir
ninguém pode parar um coração
que bate mais forte ao lado da ilusão
de que tudo encontrou

O amor é rio
corre contorcendo para o mar
Por entre estados de espírito ele vai
Sem nunca desaguar

O amor é tenso
Uma enchente nos olhos de quem vê
E dói quando vive atado à ilusão
De que tudo quebrou

E ninguém pode condenar a dor que dura
E nem dizer o tempo qu deve durar
A dor de amor não tem remédio mesmo quando muda
O que resta é deixea-la doer em paz

Mas todo mundo quer
Todo mundo sonha com amor

João Erbetta: banjo, cavaquinho, bandolim, resonator
Pedro Ito: ocean drum, cajon, djembe
Bruno Bona: clarinete, sintetizadores, sound design
Lu Horta: violões de nylon, vozes
arranjo de base: Bruno Bona
arranjo vocal: Lu Horta
gravação: Bruno Bona, João Erbetta, Marco Mattoli

5. Espaço Invade (Atari) 2’52’’
(Helô Ribeiro/ Lu Horta /Edu Marin)

Pisando onda o pé na água
Olhando o sol secando a mágoa
O céu tão claro e sereno de manhã
Você na zambia ou no Zaire
Ou mergulhado no Atari
Espaçonave
Espaço…

E eu
Nunca mais morrendo na praia
Nunca mais bebendo essa lágrima
Gota de sal que na pele secou

Você
Meditando o himalaia
Revirando o mundo
Recobrando o rumo

Só não se esqueça de voltar

Marcelo Effori: bateria, castanholas
Sérgio Villaça: baixos
João Erbetta: guitarras
Bruno Bona: sintetizadores, programação
Lu Horta: violão de nylon, vozes

Arranjo de base: Bruno Bona
Arranjo vocal e “acentuação da base”: Lu Horta
Gravação: Iuri Kalil (bateria, Estúdio Totem), Bruno Bona, João Erbetta

6. Sapatos em Copacabana 4’16’’
(Vitor Ramil)

Caminharei o smeus sapatos em Copacabana
Atrás de livro algum pra ler no fim-de-semana
Exercitar aquela velha ótica sartreana
Vendo o maxixe falso da falsa loira falsa bacana

O mendigo ensaia o passo lento um carro avança

Sei que não tenho idade
Sei que não tenho nome
Só minha juventude
O que não é nada mal

[escreverei os meus sapatos na tua idéia
escreverei os meus sapatos na tua postura
escreverei os meus sapatos na tua cara
escreverei os meus sapatos no teu verbo
ecreverei os meus sapatos nos teus Copacabana]

[scriverò le mie scarpe sulla tua idea
scriverò le mie scarpe sulla tua postura
scriverò le mie scarpe sulla tua faccia
scriverò le mie scarpe sul tuo verbo
scriverò le mie scarpe sulle tue, Copacabana]

regressarei os meus sapatos por Copacabana
Na mão direita o sangue de uma história italiana
Escorregar um tango numa casca de banana
Quando cair só vou lembrar da tua risada sacana

O polícia esquece a mão suspense um carro avança

Sei que não tenho idade
Sei que não tenho nome
Só minha juventude
O que não é nada mal

[as negras pupilas do verso se dilatam
os automóveis jorram de um piano]

[le nere pupille del verso si dilatano
le automobili scaturiscono da um piano]

Edu Pedrasse: violões de aço
Marcelo Effori: recitativo em italiano, caixa, shaker, shekere, reco mola, peixe
Bruno Bona: baixo snth, sintetizadores, sound design, beats
Lu Horta: violões de nylon, vozes
tradução da letra para o italiano: Antonino Freni

Arranjo de base: Bruno Bona, Lu Horta, Marcelo Effori e Edu Pedrasse
Arranjo vocal: Lu Horta
Gravação: Marcelo Effori, Bruno Bona

7. O Ponto 2’20’’
(Lu Horta/Edu Marin)

Se é pra ser um ponto
Me deixa ser o final
Talvez o começo de uma coisa boa
O ponto central
Convergindo tudo aquilo que ressoa

O ponto de atrito
Entre nós dois ponto flexível
Ponto marcado
Invisível

Me dê sua mão
Me deixa ser sua interrogação
A maior dúvida da sua história
Pra quando você estiver a ponte de doer
Eu correndo chegar na hora

Marcelo Effori: bateria
João Erbetta: guitarras, banjo
Bruno Buarque: beatbox
Zé Nigro: baixo acústico
Lu Horta: violões de nylon, vozes

arranjo de base: Bruno Bona e Lu Horta
arranjo vocal: Lu Horta
gravação: Iuri Kalil (bateria, estúdio Totem), João Erbetta, Sérgio Villaça.
Assistente de estúdio: Rique Campello

8. Ô 4’00’’
(Lu Horta)

Água lava o chão
Mundo pelo avesso
E sem direção
Tempestade invade a rua

Gota no jornal
Chuva no telhado
Pé no cobertor
O alarme toca: é hora

Água pro café
Tudo tem um preço
Já amanheceu
No chuveiro acorda, demora

Girando rápido
Fora do tempo
Água no mar
Do pensamento

Pronto pra sair
O rosto molhado
E sem direção
Tempestade invade por dentro

Água que eu bebi
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô…

Escorre lágrima
Percorre o tempo
água no mar
do pensamento

água que eu bebi
ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô…

João Erbetta: guitarras
Marcelo Effori: bateria
Thomas Rohrer: rabeca
Bruno Bona: baixo synth, KORG MS-20, sampler, sound design, beats
lLu Horta: violões de nylon, vozes e vocal na cabaça com água
Edu de Paulo (Duda Drum): vocais

Arranjo de base: Bruno Bona
Arranjo vocal: lLu Horta e Edu de Paulo (Duda Drum)
Gravação: Iuri Kalil (bateria, Estúdio Totem), Bruno Bona

9. A Carta da Lua 2’37’’
(Luciano Pessoa)

Trágica princesa
Nessa noite de luar
Todo sentimento
Veio se apresentar

Ondas de tormento e paz
No meu peito vem calar
Águas de um rio
De um amor que nascerá aqui

Nessa história tudo se parece com o sonhar
Rezo minha prece para o bem se aproximar

Lua consciência
Nuvens quero ir
Nessa noite escura hei de passar a minha vida

Patrícia Gatti: cravo
Marcelo Effori: mecanismos
João Erbetta: guitarras, bandolim
Gabriel Levy: acordeom
Thomas Rohrer: violino, rabeca , rabeca preparada
Zé Nigro: baixo acústico
Bruno Bona: sampler, ocarina
Lu Horta: vozes

arranjo: Bruno Bona
arranjo vocal: lLu Horta

cravo gravado por Ricardo no estúdio Síncopa em 21/junho de 2007
gravação: Bruno Bona, Robson Pélico e Sérgio Villaça

10. Abissal 3’33’’
(Ricardo Breim/Lu Horta)

Como vai
Não tem hora pra chegar
N’algum lugar
Do coração
Abissal
O caminho é tão seu
Nem se perdeu
Afinal
Longe está
Desfrutando a solidão
Azul
Do sul

Volta sim
Que a saudade dói
Eu vou te esperar

Meu amor
O seu norte é aqui
Em mim
Assim
Feliz
E cá
Pra nós
Você
Já quis
Me kiss

A saudade dói n’algum lugar
Do coração
Abissal

Marcelo Effori: bateria, molas, afoxé, shaker, tambor de tripa, djembê, reco-reco de mola, mini-derbak, tambor celta, caixa com a mão, tampa de madeira com vassourinha
João Erbetta: guitarras, bandolim, ukelele
Bruno Bona: baixo synth, sintetizadores, piano elétrico, sound design
Lu Horta: violão de nylon, vozes

gravação: Bruno Bona, Marco Mattoli e Sérgio Villaça

11. Instante 3’16’’
(Moisés Santana/Lu Horta)
Participação especial Moisés Santana

Passa e leva o fio que através da vida
passa sem porém e nem talvez
Na intensidade que circula um carrossel
E quantas vezes distraí, me desliguei

Passa perto o fio que liga os dois
E quando acende a luz os dois éramos nós
No brilho certo a gente já era capaz
De desenhar um traço sem ponto final

Você ficou em mim
Num tempo disse sim
E eu ouvi

Marcelo Effori: bateria
Pedro Ito: hadjine, riq
João Erbetta: guitarras
Du Moreira: baixo elétrico
Bruno Bona: sintetizadores
Lu Horta: violões de nylon, vozes

arranjo de base: Bruno Bona
arranjo vocal: Lu Horta e Moisés Santana
gravação: Iuri Kalil (bateria, Estúdio Totem), Bruno Bona
Moisés Santana gentilmente cedido pela “Lua Music”

12. Tempo Vento 3’01’’
(Arnaldo Antunes)

Agora que não tem mais chão debaixo dos meus pés
E que meu barco a remo segue a esmo nas mares
Sem nenhuma espécie de alento
A não ser o vento
O vento
Para me guiar
O vento
Onde me agarrar
Eu tento achar no vento ar
Pra tomar fôlego
e continuar

agora que não tem mais nada pra perder
agora que não há como voltar atrás
sem nenhuma espécie de alento
a não ser o tempo
o tempo
para me levar
o tempo
pra me ultrapassar
eu tento achar no tempo espaço
para mais um passo
e continuar

Zé Nigro: baixo acústico
Bruno Bona: piano
Lu Horta: violão, guitarra portuguesa e vozes
Arranjo de base: Bruno Bona e Lu Horta
Arranjo vocal: Lu Horta

Produzido por Bruno Bonaventure
Colaboração: Lu Horta
Gravado entre janeiro de 2007 e abril de 2008 no estúdio Sound Design, São Paulo.
Guitarras por João Erbetta no Monga Records, Washington-Nova York.
Mixado por Jesus Sanches e Rique Campello, Sound Design – SP
Masterizado por Gustavo Lenza no estúdio YB – SP, maio de 2008
Moisés Santana gentilmente cedido por Lua Music
Foto: Lu Horta
Encarte: Fernando Horta
Capa: Dani Luppi

No meu paraíso existem quatro gatinhos, uma coleção de borboletas e canções; Algumas melodias deslizam por esconderijos secretos. Existem pêlos de gatos por todos os lados. E um exército de borboletas na minha barriga todas as vezes que eu morro de paixão ou de vergonha, de medo ou de alegria sem nenhuma explicação. Lá vou eu descabelada e com o peito rasgado de amor, carregando essa dor de felicidade que não tem remédio. “Aqui é o paraíso hoje, Paraíso Eu.”

Agradeço a minha vida cantante!
E sigo agradecendo:
Ao Bruno Bonaventure pelo seu impressionante talento, paciência e idéias brilhantes dedicadas a este trabalho.
Rique Campello e Jesus Sanches, os heróis da mixagem! Muchas gracias pela impecabilidade de suas orelhas biônicas e refinamento estético.
Queridos todos do estúdio Sound Design: Caru, Carla, Mattoli, Pélico e Toni, que bom ter vocês por perto!
Aos músicos e compositores Gustavo Lenza, Thomas Rohrer, Du Moreira, Pedro Ito, Gabriel Levy, Patricia Gatti, Edu Pedrasse, Zé Nigro, Edu de Paulo, João Erbetta , Moisés Santana, Sérgio Villaça, Marcelo Effori, Edu Marin, Helô Ribeiro, Bruno Buarque ,Luciano Pessoa, Leandro Bomfim, Vitor Ramil, Arnaldo Antunes, Ricardo Breim, Jean Boechat e Moisés Santana
…obrigada a todos pelas obras e preciosa mão-de-obra!
Cida Gonçalves e sua maravilhosa produção da Casa do Batuque…um privilégio!
Maria Lúcia Guiguer, o que seria de mim se você não estivesse do meu lado durante todo esse processo? Salve a sua luz!
Querida e amada família Barbatuques obrigada a todos os guerreiros pelo tanto que vocês me ensinam a ser forte “matando no peito, estalo e palma”.
Luciana Brando, Felipe Bruno, Priscila, Bruna…como descrever aquela balada inesquecível em plena madrugada chuvosa no centro de SP? Agradeço pelas minhas horas de diva, com figurino “Carlos Miele” e jóias “Pedro Brando”!
Inaê Coutinho, minha flor, as melhores fotos são sempre suas…I love you!
Abissal, Tição, Tarzan, Jojô e Zumzum… Nosso dialeto é sagrado.
Edinho, Dani Luppi, Guillaume de Rémusat, Fepa, Maria Emília, Fernando Horta, Mauricio Martinazzo, Cia Abacirco…agradeço a todos pela força sempre!
Aos meus pais Hilda e Francisco e a toda minha família um beijo cheio de amor e gratidão!
Com profunda admiração eu dedico este trabalho a Iris.

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