Quanto Vale uma Canção | 10

Devo dizer que mais uma vez “Quanto Vale uma Canção” foi um sucesso! Casa cheia, canções inspiradas e momentos únicos. Adoro a diversidade da noite, uma edição nunca é igual a outra e isto sem dúvida é uma das grandes qualidades dessa iniciativa. É impressionante a quantidade de coincidências que ajudam a estabelecer um link muito especial entre as canções. O talento dos compositores, as histórias muito engraçadas ou inusitadas de como eles concluiram cada canção…tudo isso somado ao microfone aberto (que é sempre uma surpresa!) e o camarim compartilhado por todos (artistas e público) no final, dá um toque luxuoso a essa balada sem precedentes na noite paulistana. Uma nota para o convidado especial da noite: Kiko Dinucci fez a alegria da galera, gênio verdadeiro… Sabe, vou seguir o conselho do meu querido amigo Marcelo Pretto quando ele encarna hilariamente um de seus personagens (quem conhece sabe do que eu tô falando…) e “abrir o meu coraçãozinho sem o menor medo de ser feliz”: que orgulho e felicidade estar da cabeça aos pés mergulhada nessa história. Quanto vale? Tem que pagar pra ver, mês que vem tem mais!

QVUC dose dupla

Dia 15 de abril, terceira quinta-feira do mês é a noite do Quanto Vale uma Canção no Teatro da Vila. A balada segue com ilustres participações! Vale lembrar que cada edição é única. Essa vai ser a de número 9: é só conferir a programação!

Dose dupla porque no dia seguinte (16 de abril), eu, a Dani Luppi, o Dani Turcheto e o Edu Marin vamos apresentar o projeto na Fnac Campinas com a ilustríssima participação de Marcelo Effori. O show começa às 19h. Detalhes no link da Fnac… Massive exposition!


No backstage da canção

Foram 7 edições deliciosas até a oitava e/ou primeira edição 2010 do projeto Quanto Vale uma Canção que vai acontecer no dia 18 de março.

A idéia é criar um ambiente propício para os compositores cantarem e contarem um pouco sobre o processo de criação das suas músicas. O formato da apresentação é acústico: voz e violão, ou à capela ou… “vai no simples”.

Quando fui chamada pelo Dani Turcheto pra fazer parte do grupo de organizadores do projeto, não tive a menor dúvida que estaríamos inaugurando uma oportunidade excepcional no circuito da canção, tanto para nós autores, quanto (e principalmente) para o público. Histórias engraçadas, canções inéditas, parcerias inusitadas, músicas originalmente com arranjos complexos apresentadas de uma maneira direta e despretenciosa, tudo isso acontece ali, sempre na terceira quinta-feira do mês, no Teatro da Vila.

A idéia é criar uma rotatividade entre os artistas que se apresentam abrangendo uma grande diversidade de estilos e abrindo espaço também para novos talentos.

Vale dizer que QVUC é um braço de um projeto muito maior chamado QUANTO VALE? criado pelo Coletivo Navegantes, com a intenção de questionar o valor do produto artístico. Nos shows produzidos pelo QUANTO VALE ?, a entrada é livre e o espectador paga na saída o quanto acha que valeu o show.

Nesta edição, a Iara Rennó será a convidada especial da noite…

Tá valendo!

O nome do álbum: Paraíso Eu

“Nunca a palavra “eu” pode chegar de fora ao meu ouvido quando esta designação se refere a mim. Só de dentro pra fora, por si própria, a alma pode denominar-se “eu” – Rudolf Steiner

E foi partindo deste pressuposto que eu decidi que o meu segundo álbum seria chamado “Paraíso Eu”.

Cantar esta maravilhosa canção do Arnaldo Antunes  é como um exercício de centramento e consciência.  Uma conversa comigo mesma: “eu, o meu umbigo e o meu olho vesgo”.

E assim fui costurando cada uma das faixas deste cd, fazendo um passeio pelas minhas diferentes paisagens emocionais, pelos meus tempestuosos estados de humor, pelos assuntos variados do meu cotidiano divinamente ordinário transformados em música.

Em cada canção eu me reconheço. Cantar dá nisso: EU SOU!

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“O que se acha em si mesmo experienta um momento do paraíso, da verdade.” – Thomas Adam

A história das canções – faixa 1

A primeira vez que escutei “Paraíso Eu” do Arnaldo Antunes ela ainda não tinha sido gravada por ninguém e não havia maneira de escutá-la de novo depois daquele show da Suzana Salles no idos de noventa e alguma coisa.

Já sentiu dor de saudade de uma música? Eu sofro bastante quando isso acontece (e já me aconteceu várias vezes desde a minha infância).

Naquele momento, eu tinha acesso ao Chico Saraiva, meu amigo e músico que acompanhou a Suzana neste show. Ele me passou os acordes mas não sabia cantar a música de novo pra mim. Ok. Respirei fundo e fiquei com aquele esboço de paraíso guardado na minha memória por anos a fio.

Muito mais tarde (+-2000), eu andava sempre com a demo do meu primeiro cd no bolso. Fiz uma capa provisória pra ele (sou profissional nisso, hahaha) com as cinco canções que já estavam prontas, e carregava essa espécie de “cartão de visitas” pra tudo que é lado.

Num belo dia, estava eu no show da Elza Soares e fui no camarim tietar depois da apresentação. E me deparei assim bem de perto com o Arnaldo Antunes. Ok. Respirei fundo e não perdi a chance: “- Oi Arnaldo coisa e tal, tenho aqui 5 canções prontas do meu cd que está sendo gravado e adoraria incluir uma música sua que eu ouvi há muito tempo e que se chama Paraíso Eu, etc…”

Affff, falei!!! Mas ainda não foi dessa vez. O Arnaldo muito generosamente me mostrou outras canções e “Paraíso Eu” ficou a ver navios porque já estava no álbum da Suzana que seria lançado no mesmo ano. Mas a sorte foi minha! Na fita cassete que o Arnaldo me entregou com as opções de músicas pra eu escolher, tinha uma linda versão voz e violão com ele cantando “Paraíso Eu”. E essa versão serviu de referência para o arranjo que está neste meu novo álbum depois de vários anos de espera. E no meu primeiro cd tive o privilégio de lançar a até então inédita “Na Linha do Horizonte”, uma maravilhosa parceria dele com o Sérgio Britto.

Ok. Respira fundo que tudo tem seu tempo.

Aqui definitivamente: “Paraíso Eu” slide show

“cara, quase nada difere de fato da foto cara” (J.E.Gramani)

A complexa relação entre o conteúdo e a forma. Dois anos pra colocar este meu novo álbum no mundo. Paralelamente às gravações, na mesma época em que estava “indo e vindo’ do estúdio Sound Design, iniciei a pesquisa de imagens para o encarte. De imediato recorri à Inaê Coutinho, fotógrafa extraordinária e a grande responsável pela foto da capa do meu primeiro álbum. Marcamos uma deliciosa e arriscada sessão numa manhã chuvosa no centro de São Paulo. Tive o apoio de uma equipe “nota 10”, e um figurino chiquérrimo…lá estava eu no Viaduto do Chá posando de modelo com um vestido “Carlos Miele” e jóias do “Pedro Brando” na companhia da Inaê e seu assistente; Felipe Bruno produtor de moda;  Priscilla que cuidou da maquiagem; Bruna e Luciane Brando que carinhosamente articularam tudo isso pra mim…um luxo total! (Ah, e já ia me esquecendo da Lola, uma cadelinha mega fofa da Lu Brando…ufa!)

E as fotos ficaram lindas, passei todo o material para o Fernando Horta (sim, meu primo) que é um excelente designer gráfico e pronto: chegamos a um consenso do que poderia vir a ser a capa de “Paraíso Eu”.

Infelizmente foi só depois de tudo isso que eu descobri que não era nada disso o que eu queria. Conversei bastante com o Bruno Bonaventure (produtor musical do disco) sobre novas idéias que poderiam criar um consenso entre a imagem da capa e a sonoridade das músicas etc e tal… Daí até chegar no resultado final assinado pela Dani Luppi foi uma verdadeira novela.  Incluindo um pré-lançamento com capa provisória, uma edição de 100 cópias que foram distribuídas por ocasião de um show no Sesc Pinheiros, em SP. Lembrando que além da Inaê Coutinho e do Fernando Horta, tive também ajuda do William, do Edinho, do Edu Marin e da Mila Santoro. Mas definitivamente foi a Dani Luppi quem acolheu a minha crise de identidade e me trouxe o melhor desenho a partir de uma foto que eu tirei de mim mesma.

Na sequência abaixo, algumas imagens dessa busca e também uma foto da “saga pelo centro” naquela manhã fria e chuvosa de nov/2007. Com certeza tenho estudos de capa para os meus próximos 10 discos. E minha infinita gratidão pela paciência de todos esses queridos artistas que me ajudaram nesse processo de auto-conhecimento, porque no fim das contas, é disso que eu estou falando nesse “Paraíso Todos Nós”.

” é uma foto que não era para capa / era mera  contracara, a face obscura / o retrato da paúra quando o cara / se prepara para dar a cara a tapa”    ( trecho: “A Foto da Capa” –  Chico Buarque )

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Prosa, Descompasso e…Flutuante?!

Mais uma experiência lúdica na minha vida! Fui entrevistada pela Rita Lorenzato no programa Prosa e Descompasso da webrádio do CCSP. Falar pra vocês que…foi tudo muuuuuuuito especial…hahaha…tem um pouco da minha trajetória e principalmente histórias e faixas do meu primeiro cd homônimo “Lu Horta” lançado em 2003.

Quando eu fui entrevistada, o álbum “Paraíso Eu” estava pronto mas ainda não tinha sido lançado. Então, tudo isso está no ar como uma retrospectiva, num tempo fora do tempo e com direito a surpresas nos cortes de edição da entrevista. Ou seja, uma prosa definitivamente descompassada fazendo juz ao nome do programa. No mínimo divertido pra quem quiser conhecer a entonação da minha voz articulada e os cacoetes da minha fala…aff…muuuuuuito especial…e…Flutuante??!!

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